Ivany Bello da Silva, diagnosticada com câncer de mama, nos enviou este depoimento a fim de dividir sua experiência e, quem sabe, ajudar outras pessoas que estejam passando pela mesma experiência.

Leia abaixo a história de Ivany Bello da Silva.

Ivany Bello da SilvaBoa noite.

Meu nome é Ivany, tenho 53 anos recém completos em dezembro último.

Estou me enchendo de coragem para falar sobre o que aconteceu comigo.

Me casei aos 23 anos em 1985, e já tive um caso de câncer de mama na família, mais precisamente minha tia. Ela foi diagnosticada em 1979 e faleceu em 1995, quando 2 anos antes o câncer a atingiu de uma outra forma, e pelo fato desse caso na família, desde que me casei sempre fiz todos os exames anuais, onde sempre todos os resultados eram satisfatórios, até que em novembro de 2001eu tive um diagnóstico errado de câncer de mama no seio esquerdo, que foi escrito no resultado como uma mancha suspeita.

Claro, entrei em pânico, não poderia ser de outra forma. Em contato com meu médico particular fui devidamente esclarecida de que tudo não passava de um erro de diagnóstico, que me custou um trauma para minha vida. Não consegui mais fazer exames periódicos.

E foi em 2006 que fiz os exames de novo. Com muito medo de abrir o resultado, pedi que meu marido o fizesse e Graças a Deus estava tudo bem, mas continuei marcando os exames e no dia marcado eu não ia de medo. Quando foi em setembro de 2010 de repente na hora em que fui trocar de roupa notei que meu seio direito estava com uma mudança visível impressionante, parecia deformado, eu associei aquela mudança na aparência ao polivitamínico que eu estava tomando há 20 dias e por conta própria deixei de toma-lo e notei que meu seio tinha voltado mais ao normal, mas com uma espécie de pequena cicatrização na pele no seio. Fiquei com medo do que pudesse ser não comentei com meu marido nem com minha filha e fui deixando passar, até que um dia meu marido notou essa diferença e fui obrigada a contar e como eu não quis ir ao médico pedimos para um médico que era conhecido nosso que se informasse sobre o que comentamos com o ginecologista amigo dele e a resposta foi que algumas mulheres que fazem tratamento com polivitamínico e em fase de mudanças hormonais poderia sim ocorrer o que houve comigo e não precisaria me preocupar e assim eu fiz segui minha vida mas preocupada e calada.

Quando chegou em março de 2012 nesse mesmo seio bem do lado da espécie de cicatriz abriu uma pequena ferida não falei nada. Quando foi em abril passei em consulta com a médica do posto de saúde e mostrei pra ela como estava meu seio. Ela mais do que depressa me orientou que eu fosse a um mastologista, porque o que eu tinha era câncer,mas só o mastologista poderia me dar maiores explicações e tudo que teria que ser feito dali por diante. Falei que ia esperar mais dois meses para mexer com tal situação porque minha filha estava na reta final da conclusão da faculdade preparando a fase final do TCC e eu não iria falar nada,porque com certeza ela abandonaria tudo. E decidi esperar mais dois meses. No dia seguinte contei tudo pra ela e dez dias depois numa consulta com mastologista fui diagnosticada com câncer de mama invasivo já e de bate pronto no próprio consultório a médica já deu resultado. Depois das explicações e todas as orientações de exames pré operatórios fiz minha cirurgia de mastectomia radical sem reconstrução por livre decisão. Não estava preocupada com meu corpo faltando um pedaço mas dei mais importância para minha saúde e para nossa felicidade minha cirurgia foi um sucesso, a biópsia do pós operatório foi excelente. Não tive nenhuma metástase Graças a Deus e devo esse alívio a Fé que nos segurou junto de todos os amigos e familiares que rezaram por mim Eu Creio no Poder da Fé e das Orações e meu tratamento foi de hormonioterapia e radioterapia com 28 sessões que a princípio a hormonioterapia a duração iria ser de 3 anos, fui dispensada em 2 anos em julho de 2014 foi a última aplicação que eu fiz.

Sigo meu tratamento com tamoxifeno até 2017 e depois farei mais um complemento com uma outra medicação de mais prevenção. Passo há cada 4 meses em consulta com Oncologista e uma vez por ano com Mastologista e estou bem, curada e confiante que não passarei por esse pesadelo de novo. Preocupações são normais com o meu futuro claro que tenho, mas penso que se Deus me deu a segunda chance e estou dando este testemunho é porque tenho que confiar que tudo continuará dando certo. Tenho que falar também que o primeiro diagnóstico realmente o chão se abre debaixo dos nossos pés, muitas lágrimas são perdidas nesse período, por medo, insegurança, sensação de morte batendo a nossa porta. Ninguém está preparado para isso nunca, mas com o decorrer dos dias essa nova situação os médicos em cada uma das suas especialidades vão nos mostrando que tudo pode ser resolvido, pode ser tratado e a gente a cada dia vai vendo uma luz no fim do túnel.

Não sei se pude colaborar em alguma coisa, mas essa é minha estória de vida e vou seguindo com otimismo e bom humor porque bons sentimentos e bons pensamentos contam muito para nós e para quem vive de perto esse drama que não é nada fácil, mas com FÉ podemos TUDO.